Cientistas da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, demonstraram que quando o tecido cerebral humano é transplantado em camundongos recém-nascidos – que não possuem uma parte ideia dos pesquisadores é, no futuro, usar esse modelo para testar novas terapias em doenças como o autismo, doença de Parkinson, Alzheimer ou esclerose lateral amiotrófica, por exemplo.
Para testar os efeitos das células humanas, os camundongos foram submetidos a testes de memória e inteligência. Em um outro experimento, eles submeteram os animais a um déficit de oxigênio (situação que ocorre na paralisia cerebral de bebês, principalmente os prematuros).
“Quando li essa pesquisa, me lembrei do experimento que fizemos com camundongos e o zika vírus. Para demonstrar que o zika vírus poderia destruir tumores do SNC, que são letais, transplantamos células tumorais humanas no cérebro de camundongos ‘nude’ que são animais que não possuem sistema imune”, relembra Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP. “Houve redução dos tumores na maioria dos animais e, em um terço deles, os tumores e metástases desapareceram completamente.”
Mayana Zatz reitera, ainda, os cuidados a serem tomados pelos pesquisadores em ensaios com animais. “Embora defendamos que devemos restringir ao máximo o uso de animais para estudos pré-clínicos, em alguns casos somente modelos como o desenvolvido pelo grupo de Stanford ou pelo nosso time da USP conseguem testar e demonstrar a eficácia de uma nova estratégia terapêutica”, finaliza.