Um artigo científico recente publicado na revista Cell mostrou que cientistas produziram espermatozoides em laboratório a partir de células sanguíneas. Os líderes da pesquisa reprogramaram células do sangue e as transformaram em células-tronco pluripotente induzidas (IPS, sigla em inglês), com capacidade de se transformar em qualquer tipo de tecido do corpo humano. Depois disso, ainda em laboratório, elas foram transformadas em células embrionárias, que dão origem aos óvulos e espermatozoides.
Em seguida, estas células foram introduzidas em uma pequena bolsa no rim de um camundongo para mimetizar um ambiente vivo. Um mês depois do experimento, havia formação de estruturas tubulares, como as encontradas nos testículos.
“A finalidade do experimento é poder produzir no futuro espermatozoides maduros e viáveis para ajudar em casos de infertilidade, mas no momento o objetivo dos pesquisadores é entender o processo de formação e maturação dos espermatozoides”, explica Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP. “Em cerca de 40% dos casos de infertilidade masculina, as causas não são conhecidas.”
Mayana alerta que, além da dificuldade biológica, o experimento levanta importantes questões éticas. “Vão usar essa tecnologia para gerar bebês?”, questiona. “Se por um lado, os comitês de ética são muito rigorosos no caso das pesquisas realizadas nas universidades ou institutos de pesquisas, dificilmente eles conseguem controlar o que se passa em laboratórios particulares.”
E finaliza: “Novamente, surge a questão ética: vão produzir bebês desenhados de acordo com a vontade dos pais?”.