Na coleta de sangue, cada etapa importa. E uma delas, aparentemente simples, merece atenção especial: a homogeneização dos tubos após a coleta.
Nos tubos que contêm anticoagulantes, a homogeneização adequada entre o sangue e o aditivo é fundamental para preservar a amostra e evitar a formação de coágulos ou micro coágulos.
Mesmo os tubos plásticos destinados à obtenção de soro, quando contêm ativador de coágulo, devem ser homogeneizados conforme a recomendação do fabricante.
Mas, na rotina, ainda observamos falhas nessa etapa.
Pressa, sobrecarga, distração, estresse e automatização dos movimentos podem transformar uma etapa simples em uma não conformidade.
E a homogeneização não é o único ponto de atenção.
Acesso venoso difícil, coleta em sistema aberto, preenchimento inadequado do tubo e fluxo sanguíneo lento são situações presentes diariamente nos serviços de coleta e que também podem comprometer a qualidade da amostra.
Por isso, tão importante quanto realizar a técnica corretamente é observar a amostra antes de dispensar o paciente.
Imagine a situação: a punção foi realizada com sucesso na primeira tentativa, mas, ao verificar a amostra, o profissional identifica que ela está inadequada.
Será necessária uma nova coleta.
E é nesse momento que técnica e experiência do paciente se encontram.
Como explicar que será necessária uma segunda punção? Como abordar esse paciente? Como demonstrar segurança, empatia e transparência diante de uma situação que certamente lhe causará desconforto?
Se a inadequação não for identificada naquele momento, o impacto pode ser ainda maior: reconvocação, retrabalho, aumento do TAT, custos adicionais e insatisfação do paciente.
Material coagulado é um indicador de qualidade frequentemente acompanhado pela gestão. Ainda assim, mesmo com treinamentos e capacitações, ele continua presente na rotina de muitos laboratórios.
E isso me leva a uma reflexão:
Se uma observação criteriosa da amostra, tempo para a obtenção da amostra, ainda durante o atendimento, pode evitar parte desse impacto.
Por que continuamos identificando tantas amostras inadequadas somente depois que o paciente foi dispensado?
Estamos apenas treinando a técnica ou estamos garantindo que os profissionais compreendam o impacto de cada etapa sobre todo o processo e sobre a experiência do paciente?
Como esse indicador se comporta no seu laboratório?