Congresso da SBAC prepara laboratórios para o presente e o futuro

Por Andrea Penna 

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A Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) promoverá, entre os dias 28 de junho e 1º de julho de 2026, o 51º Congresso Brasileiro de Análises Clínicas (CBAC), no Riocentro, reunindo especialistas nacionais e internacionais de destaque na área laboratorial.

Entre os convidados internacionais, destaca-se o professor Mario Plebani, referência mundial em análises clínicas. Docente titular de Bioquímica Clínica e Biologia Molecular Clínica na Universidade de Padova, o pesquisador é amplamente reconhecido nas áreas de gestão da qualidade em medicina laboratorial, erros diagnósticos e laboratoriais, biomarcadores em câncer e doenças cardiovasculares, além do diagnóstico in vitro de alergias.

De acordo com o coordenador da grade científica do congresso, Marcos Kneip Fleury, o professor será responsável pela palestra magna, abordando um dos temas centrais do evento: o uso da inteligência artificial na fase pré-analítica — uma área emergente e de grande impacto para o futuro do diagnóstico laboratorial.

Além da programação científica, o congresso contará com um workshop pré-congresso dedicado à inteligência artificial, reunindo importantes players do mercado que apresentarão ferramentas acessíveis e aplicações práticas já disponíveis para os laboratórios clínicos. A proposta é demonstrar como a IA pode ser incorporada gradualmente, desde tarefas administrativas até processos mais complexos, como automação de fluxos, emissão de laudos e integração de dados.

Segundo Fleury, os laboratórios brasileiros já possuem condições de iniciar essa transformação digital, ainda que em diferentes níveis de maturidade. Ele ressalta que a adoção da inteligência artificial é um caminho inevitável, com impacto direto em aspectos como custo, competitividade, agilidade e precisão diagnóstica.

No ambiente técnico, a inteligência artificial já está presente em diversos equipamentos laboratoriais, embora sua implementação mais ampla ainda demande investimento e capacitação profissional. Nesse sentido, a qualificação da equipe é apontada como um dos principais desafios, ao lado dos custos iniciais de aquisição e manutenção de tecnologias mais avançadas. Ainda assim, a tendência é de redução progressiva desses custos, a exemplo do que ocorreu com a automação laboratorial.

Outro destaque do evento será a feira de negócios, que trará soluções tecnológicas adaptadas a diferentes perfis de laboratório, incluindo equipamentos compactos e plataformas acessíveis para instituições de pequeno e médio porte. De acordo com a organização, há um esforço contínuo para aproximar fabricantes e distribuidores desse público, ampliando o acesso à inovação.

Para Fleury, o avanço da inteligência artificial representa uma mudança significativa tanto para os laboratórios quanto para os pacientes, especialmente pela capacidade de integrar múltiplas fontes de informação — como exames laboratoriais, imagens médicas, dados clínicos e histórico medicamentoso — permitindo análises mais rápidas e precisas, com suporte à tomada de decisão em tempo real.

Com o tema “Saúde 5.0”, o 51º CBAC se consolida como um espaço estratégico para atualização científica, troca de experiências e networking, oferecendo aos participantes acesso a conteúdos de alto nível, inovações tecnológicas e oportunidades de interação com a indústria.