A Jornada de uma jovem cientista

Sou Denise Crizol, minha jornada na Assistência Farmacêutica se inicia na USP, em uma turma de graduação majoritariamente feminina, em 2013.

Seis anos depois, já com diploma, sou aprovada por concurso público para trabalhar no SUS, onde encontrei uma barreira que não imaginava: a invalidação da minha capacidade técnica.

Eu estava cercada por um equipe de enfermeiras, técnicas de enfermagem, psicólogas, assistentes sociais, chefes e diversas outras profissionais, todas mulheres. Do outro lado, atendendo mulheres jovens, adolescentes, adultas, idosas e gestantes.

E por que, em um meio com tantas mulheres, é tão difícil ter que provar nosso valor? Frente a equipe, sem autoridade. Frente às paciente, sem capacidade.

Toda a minha faculdade, pesquisa, estágio, aprovação em concurso, estudos dos mais atualizados artigos, não tinham valor pois “você parece muito nova”, “você ainda não sabe nada sobre a vida”, “o médico (homem) já me orientou, não preciso da sua ajuda”, “a prática não é igual à teoria, agora que você vai começar a aprender”, “você tem cara de criança”, e, semelhante a esses, cada vez mais comentários invalidando toda a minha trajetória, bagagem e conhecimento.

Em abordagem sobre diabetes gestacional, uso de contraceptivos orais, medicação para distúrbios de tireoide e reposição hormonal, e muitos outras onde eu atuava com assistência farmacêutica, recebia olhares de desconfiança, falta de interesse e descaso para as minhas orientações.

Afinal, como “confiar”, “acreditar”, em orientações e condutas vindas de uma jovem profissional? Uma pergunta sem resposta que já me trouxe muita frustração profissional.

Em uma estrutura historicamente patriarcal, e não só isso, mas onde “barba branca” é sinal de sabedoria, a mulher, recém formada, precisa se provar o tempo todo. Reafirmar sua formação, mostrar, na prática, o seu valor. Abrir o seu próprio espaço.

O que eu não esperava nesse cenário, é a resistência das próprias mulheres, pacientes e colegas de trabalho.

Mas, como filha de um sistema onde não somos ensinadas a desistir, fui demonstrando à equipe que o meu conhecimento não é menos importante, e conquistando cada paciente com uma conduta pacífica, com informações de saúde, e proporcionando um atendimento respeitoso e acolhedor.

Espero que possamos, nós mulheres, criar mais espaços umas para as outras, para que cada uma brilhe na sua própria profissão e na sua área de domínio