Tratamento inovador reprograma o sistema imunológico e amplia as chances de remissão para pacientes oncológicos
A cidade de Curitiba se consolidou como um dos principais polos da terapia celular CAR-T no Brasil, uma abordagem revolucionária no combate aos cânceres hematológicos. A técnica, que personaliza o tratamento ao modificar geneticamente as células do próprio paciente para combater tumores, tem proporcionado remissão mesmo em casos avançados da doença.
O médico hematologista Samir Kanaan Nabhan, da Academia Paranaense de Hematologia (APH), afirma que a terapia com células CAR-T representa um avanço significativo na oncologia. Ele explica que o procedimento envolve a coleta de linfócitos T do paciente, que são modificados em laboratório para expressar um receptor específico capaz de identificar e destruir células cancerígenas. Essas células são, então, multiplicadas e reinfundidas no organismo, desencadeando uma resposta imunológica intensa contra o tumor.
CENTROS DE REFERÊNCIA
Desde 2023, Curitiba é a única cidade da Região Sul do Brasil com centros habilitados para realizar esse procedimento inovador. Entre os hospitais credenciados estão:
- Hospital Erasto Gaertner, sob coordenação do Dr. Johnny Camargo, para atendimento de pacientes adultos;
- Erastinho, com a Dra. Antonella Zanette à frente do tratamento infantil;
- Hospital Pequeno Príncipe, com trabalhos conduzidos pela Dra. Cilmara Cristina Kuwahara Dumke;
- Hospital Nossa Senhora das Graças, onde o Dr. Samir Kanaan Nabhan é o responsável técnico pelos procedimentos.
Nabhan conta que os hospitais curitibanos têm atraído pacientes de diversas regiões do Brasil, especialmente do interior do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, fortalecendo a cidade como uma referência nacional nesse tratamento.
No entanto, o hematologista pontua que, apesar dos benefícios, o acesso à terapia ainda é limitado pelo alto custo. No Brasil, três produtos estão disponíveis no mercado:
- Yescarta® (Kite);
- Kymriah® (Novartis);
- Carvykti® (Johnson & Johnson).
Os valores do tratamento, segundo ele, variam entre R$ 2 e 3 milhões por paciente, tornando a ampliação do acesso um dos principais desafios do setor.
“Desde que os hospitais de Curitiba foram habilitados, um volume significativo de pacientes já passou pelo procedimento, permitindo a formação de um banco de dados essencial para otimizar as indicações e aperfeiçoar a condução clínica dos casos”, destaca.
JORNADA CIENTÍFICA
Esse é um dos temas que será debatido na 3.ª Jornada da Academia Paranaense de Hematologia, que ocorre nos dias 21 e 22 de fevereiro de 2025, no Hotel Radisson, em Curitiba. O evento reunirá especialistas para discutir os avanços na Hematologia e Hemoterapia, compartilhando as experiências e aprimorando o uso inclusive dessa tecnologia tão inovadora.
A expectativa é que, com a evolução das pesquisas e a negociação de custos, mais pacientes possam ter acesso a esse tratamento, que representa uma nova esperança para casos complexos de câncer. Enquanto isso, os centros habilitados em Curitiba seguem na vanguarda da oncologia, oferecendo qualidade de vida e novas possibilidades de cura.
Dr. Samir Kanaan Nabhan (CRM 20.084 – PR | RQE 16.322) é médico hematologista e atua como supervisor Médico da Unidade de Transplante de Medula Óssea, Oncologia e Hematologia do Complexo Hospital de Clínicas de Curitiba (UFPR/EBSERH). Também é hematologista do Instituto Pasquini de TMO e Hematologia no Hospital Nossa Senhora das Graças em Curitiba