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Ressonância de corpo inteiro revoluciona diagnóstico e avaliação das miopatias inflamatórias

Estudo aponta que a ressonância magnética (RM) se tornou o pilar central para diagnosticar e monitorar miopatias inflamatórias idiopáticas

Uma revisão científica publicada recentemente no conceituado periódico European Radiology revela como o avanço nas tecnologias de imagem está contribuindo para o manejo das miopatias inflamatórias idiopáticas (IIM). O estudo, que conta com a colaboração de especialistas do Grupo Fleury, HC-FMUSP e Universidade da Califórnia San Francisco (EUA), aponta que a ressonância magnética (RM) se tornou o pilar central para diagnosticar e monitorar esse grupo de doenças autoimunes raras, que comprometem os músculos. A principal conclusão é que o uso de técnicas avançadas permite tratamentos muito mais individualizados e precisos.

A pesquisa aprofunda a análise sobre o potencial da ressonância magnética de corpo inteiro e da RM ponderada por difusão. Diferente dos métodos tradicionais, essas ferramentas conseguem mapear padrões de distribuição da doença por todo o organismo, identificando atividades inflamatórias em estágios extremamente precoces. O estudo destaca que a imagem agora atua de forma decisiva na orientação de biópsias, garantindo que o médico colete amostras exatamente nos pontos de maior atividade da doença, o que aumenta drasticamente a acurácia do diagnóstico final.

“Os resultados apresentados ampliam a capacidade diagnóstica e de monitoramento das IIM, demonstrando a importância do trabalho do pesquisador na introdução de ferramentas avançadas, como a ressonância magnética de corpo inteiro, nas rotinas assistenciais e acadêmicas”, explica o Dr. Júlio Brandão Guimarães, radiologista do Fleury Medicina e Saúde e autor sênior do estudo.

As miopatias inflamatórias são condições heterogêneas e complexas. Para o ecossistema de saúde e, principalmente, para a vida do paciente, as novas diretrizes apresentadas na revisão trazem benefícios concretos a partir da capacidade de visualizar alterações antes mesmo de sintomas severos aparecerem, permitindo intervenções precoces. “Além disso, a tecnologia facilita o acompanhamento da evolução clínica, permitindo ajustar a medicação com base na resposta inflamatória visível nas imagens.”

A consolidação desses avanços técnicos fortalece a prática clínica ao unir a produção científica de ponta com a rotina dos centros de excelência. “O cenário atual aponta para uma integração cada vez maior entre dados clínicos, sorológicos e imagens de alta definição para combater doenças raras”, conclui o Dr. Guimarães.

O artigo completo, intitulado “Idiopathic inflammatory myopathies: a comprehensive review, new concepts on diagnostic imaging and whole-body MRI”, foi publicado em dezembro de 2025 e serve agora como guia para radiologistas e reumatologistas ao redor do mundo.