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SURGEM NOVOS CAMINHOS

É do mais amplo conhecimento de todos que os sistemas de diagnósticos laboratoriais vêm, no decorrer dos tempos, de encontro a processos evolutivos, quase todos voltados à exacerbação da qualidade e precocidade na entrega dos laudos, graças à evolução de todos os sistemas, partindo de novas e eficientes metodologias, utilizadas através de avançados equipamentos.

De modo concomitante, a todo momento, aportam grandes e bem vindos avanços nos sistemas de TI e comunicações entre todos os pilares que compõem a cadeia da saúde.

Até alguns dos tão debatidos TLPs (testes rápidos) podem e devem ter suas utilidades consideradas. Seria possível discutir validade ou eficiência, ao terem seus desempenhos observados, por exemplo, num ambulatório ou enfermaria de cardiologia, quando, em poucos minutos, podem informar níveis de troponina, e demais marcadores cardíacos, mesmo que aproximados?

Da mesma forma no processo pandêmico COVID19 (já estamos no ano 03) como triagem de pacientes ou para atenuar fontes de contato?

São tantos os avanços da ciência laboratorial que nos fazem, a quaisquer descuidos, perder o fio da meada e entrarmos em processos de obsolescência.

Portanto, nada de estranhar, quando entidades que nunca tiveram relacionamentos afetivos, nem afinidades com os sistemas laboratoriais estejam enxergando novos investimentos, para melhores resultados econômicos.

Nas cidades de grande porte já é realidade a existência de Centros de Diagnósticos, onde o cliente tem condições de realizar seus exames complementares, de análises clínicas e imagem, entre outros. De modo geral, significa apenas uma única ida ao estabelecimento para realizar todos ou quase todos os procedimentos necessários ao diagnóstico ou monitorização de terapias.

Da mesma forma, estabelecimentos farmacêuticos, notadamente as grandes redes, estão montando parcerias com clínicas médicas e executando de forma conjunta ou em prédios contíguos atendimentos clínicos e testes laboratoriais.

Os pioneiros já chegaram.

Entretanto, o país é muito grande e existem milhares de cidades médias e pequenas, que não comportam esse tipo de atendimento.

Em se tratando de Laboratórios Clínicos isolados a pauta muda todos os conceitos e regramentos do bom senso e necessitam muitas discussões.

Existem em número exacerbado.

Em algumas situações, em cidades com pouco mais de 100 mil habitantes coexistem mais de 20. Evidente está que, com este tipo de configuração, não existe quociente possível na divisão clientes / laboratórios que possa satisfazer a todos, mesmo que essa divisão seja    igualitária.

O que, também, nunca acontece.

Todos trabalham com um número muito baixo de clientes, gerando    concorrências absurdas, que acarretam decréscimos consideráveis nos valores de remunerações, prejudicando todas e quaisquer atualizações de qualidade, tanto em novos equipamentos, sistemas de comunicações e área física.

Resultado:

– Colegas de profissão ou atividades rompidos, sem diálogo, exercendo seus trabalhos de forma isolada, com toda a estrutura de trabalho comprometida. E sem conversarem entre si para que, pelo menos, abraçados possam prantear essa situação.

Caso isto ocorra, terão muito o que conversar. E se houver franqueza e corações abertos, verificarão que todos estão errados, ao trabalharem de forma isolada, sem trocas de ideias ou opiniões, utilizando equipamentos desatualizados e exauridos , sabe-se lá em qual estado de uso, e por quantos laboratórios já transitaram.

Que seus sistemas de informática, caso existam, equiparam-se às antigas CPUs, travestidas de máquinas de escrever.

E que nenhum dos colegas possuem clientes suficientes que possam sustentar a existência de um CNPJ que cumpra todas as exigências legais e necessárias ao sustento, segurança do paciente e estabilidade de uma empresa.

Resumo:

Exercem atividades circenses, como caminhar num arame, sem a mínima proteção de uma rede de segurança abaixo e um guarda chuvas aberto acima .

Se tiverem uma primeira conversa aberta, ao natural acontecerá a segunda.

Essa segunda conversa já poderá ser mais amigável, novas ideias poderão surgir. Quem sabe, trocas de serviços. O colega que tiver o mais atualizado equipamento de hematologia executaria os hemogramas de todos, a um valor razoável, que possa ser mensalmente honrado. Da mesma forma, no caso de um dos participantes possuir uma automação em urina com boa resolutividade.

Se no grupo, recém reunido, ocorrer a presença de um pensador, logo surgirão novas sugestões, no necessário sentido de corte de despesas, através de troca de informações necessárias às melhores compras, seleção de fornecedores, o melhor serviço de contabilidade da cidade ou região, que possa atender a todos, a valores aceitáveis, etc.

Presume-se que, na terceira conversa, todos os laboratórios da cidade se farão presentes. Boatos referentes a melhorias espalham-se com facilidade e, no mínimo, atraem a presença dos mais curiosos.

E se um dos presentes, provavelmente o pensador, murmurar:

– E uma central laboratorial que atenda a todos?

Estão abertas todas as possibilidades de que novos pensadores, já fardados, entrem em campo, oferecendo as mais variadas opiniões algumas palatáveis, outras absurdas. A sala de reuniões se transforma num festival inaudível de conversas multilaterais.

Como nem todos os pensadores sabem exercer uma função moderadora, alguém fala mais alto e sugere a interrupção do encontro. Que todos regressem aos seus lares, para um diálogo infindável, com o travesseiro.

E recomenda uma nova reunião … para o dia seguinte.

Nesse encontro estará presente a totalidade dos laboratórios, e mais uma empresa regional, revendedora de equipamentos laboratoriais.

Ninguém sabe quem a convidou ou avisou.

O pensador do grupo, ciente do compromisso e responsabilidade da sua quase divagação, assumiu a abertura do encontro. Explicou a todos que não estava brincando naquele murmúrio da reunião anterior. Há algum tempo vinha pensando numa situação que propiciasse alguma saída para que os laboratórios da cidade pudessem obter uma sobrevivência digna, e que pudessem adicionar a melhor qualidade possível ao trabalho apresentado.

Reforçou que aquele tema nunca lhe deixava o pensamento, e que, a prosseguir a atual situação, a qualquer dia, com certeza, haveriam problemas para todos.

Explanou também que, há tempos, vinha pensando nessas ações e pesquisando experiências anteriores de fusões, aquisições ou permuta de serviços.

Concluiu que a melhor saída para todos seria a concepção de uma nova empresa laboratorial, de propriedade de todos os presentes, equipada com todos os requisitos de modernidade, tanto nos equipamentos e sistemas auxiliares. Essa empresa funcionaria num novo local, sanitariamente aprovado e seria destinada a executar os exames de todos os laboratórios da cidade, que aceitassem a sugestão, agora apresentada. Todos os laboratórios participantes manteriam suas identidades,   pontos de atendimento, clientes e convênios. Os materiais seriam colhidos em suas sedes atuais e enviados à central através de veículo apropriado, com todos os itens exigíveis pela legislação sanitária, e … pelo bom senso.

O valor a ser recebido pela execução dos exames seria o mesmo para todos os associados, calculado de modo profissional, sem achismos, para que a existência desse estabelecimento pudesse estar sempre atualizada, e perenizada. Cada laboratório participante fixaria seu preço nos exames para seus clientes, entretanto, sempre vinculados a um patamar de valores justos sugeridos pelo grupo diretivo.

O alarido retornou com força total, entretanto, já pontilhado de manifestações tendentes a um início de acordo. Criado um grupo de estudos, foi fixado um prazo para a execução de um esboço de trabalho que pudesse transcrever, de forma documental, todas as ideias discutidas e apresentar um ante projeto. Constituída uma comissão de 5 membros, que teriam um prazo de uma semana para apresentar os primeiros dados.

De imediato três dos presentes rejeitaram a ideia. Dois alegaram cansaço e idade avançada para uma nova empreitada e um outro, apenas evasivas. O fornecedor de equipamentos e insumos, gentilmente convidado a não comparecer às próximas reuniões, pois ainda não era ainda o tempo de avaliar a área técnica.

Assuntos, da maior importância, deveriam ser tratados antes.

O primeiro, evidentemente, seria a disponibilidade financeira de cada participante, bem como a análise das fontes financiadoras disponíveis.

No encontro seguinte foram iniciadas distribuições de tarefas, e escalados dois componentes do grupo para cada item a ser pesquisado:

– Localizar um ponto onde o requisito principal, além da área física, seria a melhor equidistância possível entre todos.

Quase impossível, quando aparecia um, não era adequado à transformação em laboratório. Após boas discussões, improvável que não ocorressem, optaram pela compra de um terreno, com uma boa área, onde pudesse ser erguido um prédio de três ou quatro andares – aproximadamente 700 metros quadrados, com razoável localização em termos de distância a todos os componentes do grupo.

Concomitantemente, o grupo denominado legal iniciou uma complicada e delicada progressão, com a finalidade de pesquisar a validade jurídica do empreendimento pois, alguns itens que caracterizam a atividade laboratório de análises clínicas, não poderiam ser cumpridos. A começar pela existência de estabelecimentos laboratoriais independentes, porém desprovidos de área técnica. E um laboratório de conformação irretorquível, sem atendimento direto ao público.

Situações incompatíveis com as atuais “normas sanitárias”, entretanto resolvidas sem grandes problemas na esfera municipal. No grupo que gerou o empreendimento havia bons relacionamentos políticos e não foi difícil cooptar o executivo, a vigilância sanitária municipal, e a classe política.   Afinal de contas, um empreendimento pioneiro padrão, com todas as inovações possíveis e passíveis de serem utilizadas, não pode nem deve ser podado por regramentos superados.

Um item da mais alta importância – as amostras “ viajariam ” por distâncias infinitamente inferiores às mais frequentes utilizadas no país, em veículo apropriado, equipado com todos os itens contidos nas normas oficiais de transporte de material biológico.

Pendências resolvidas, foi criada uma sociedade de prestação de serviços, com propósitos específicos. A realização de exames laboratoriais e outros exames complementares (previsão de futuro) para atendimento direto a instituições de saúde. E como associados, todas as pessoas físicas que assinaram a ata inicial.

Escolhidas as fontes de financiamento, foi negociada a compra do terreno escolhido como ideal e, de imediato, a concepção do projeto. Contratado um Arquiteto local, porém orientado por uma empresa de engenharia da capital, especializada na construção de estabelecimentos de saúde.

Foi a parte mais lenta e desanimadora do projeto. Muitos “experts” a opinar, através de acalorados debates.

Entretanto prevaleceu o bom senso, com resultados excelentes. As orientações fornecidas pela empresa de engenharia em saúde foram fundamentais, com destaque especial à demarcação de fluxos por onde os diversos materiais biológicos deveriam percorrer. Desde à entrada no prédio, até o descarte.   Trabalho conjunto de quase todos, inclusive da empresa contratada para conceber e realizar o novo LIS, comum a todos os laboratórios participantes do projeto. O mesmo para todos, porém com as particularidades de cada CNPJ individualizadas e preservadas,

Por se tratar de um número alto de participantes, algumas cláusulas de fundamental importância foram adicionadas aos contratos. Na possibilidade, sempre previsível, de algum associado desejar se retirar do projeto, a sua quota de participação deverá ser negociada com algum dos demais membros do grupo. Incluindo o estabelecimento laboratorial próprio e a participação societária na central de realização dos exames. Na impossibilidade de negociações, o laboratório individual encerra as atividades e a participação na central técnica rateada entre os sócios originais.

Uma única exceção – o caso de que o retirante queira passar sua posição para um descendente direto, que seja profissional legalmente habilitado em alguma carreira que tenha afinidade com o laboratório clínico. E, evidentemente, com a concordância dos demais membros.   Itens que, previstos com antecedência, vão prevenir incontáveis dores de cabeça no futuro.

Evidente também que outras ocorrências aconteceram, todas elas vistas e sanadas pelo grupo de proprietários que, felizmente, foi muito hábil e coeso ao tratar com as ações de não conformidades que surgiram no caminho.

Os equipamentos, todos de lançamento recente foram negociados aos melhores valores possíveis, tanto os adquiridos, como os comodatáveis.   Os novos sistemas de informática foram instalados em ambiente apropriado, com todos os requisitos de proteção digital e ambiental. Os profissionais que trabalharão de modo fixo nesse setor realizaram treinamentos e ficaram encarregados de capilarizar esse conhecimento aos colegas que farão o atendimento nos laboratórios associados primeiramente, sob a supervisão da empresa de informática, e após de modo isolado.

Como o número de procedimentos dará um grande salto, muitos testes, usualmente encaminhados a laboratórios de apoio, serão realizados “in house”.

Numa ação deliberada para ocorrer de forma gradativa, sem atropelos.

Três hospitais da região, não muito distantes demonstraram simpatia ao projeto, e querem manter conversas sérias com o grupo diretivo, com a finalidade de encaminhar seus exames para a nova central.

A distância desses hospitais permite que os materiais enviados até as 10 horas poderão estar no prontuário eletrônico dos baixados por volta das 14.

Iniciativa bem vinda, evidentemente. Entretanto, por questões de precaução e cautela, preferem esperar algum tempo até que surjam os primeiros resultados da atuação inicial para, após, pensarem em ampliações. Necessariamente, já teriam que repensar o número de veículos e a capacidade de alguns equipamentos, ainda nem colocados em uso, adaptação do pessoal técnico, e algumas previsões, muito bem pensadas, para uma empresa, que sequer, iniciou suas atividades.

Um grupo de médicos ligados a outras atividades em diagnósticos, fundamentalmente imagem, já está pensando em algo parecido.

O terreno ao lado já está à venda. A pedida inicial tem valor duplicado.

Quando muitos estão a pensar e opinar, o andamento lógico fica um pouco prejudicado. Algumas opiniões são muito aproveitáveis, outras disparatadas. Entretanto todos são sócios do empreendimento, possuem quotas do mesmo valor, e não são poucos. Sempre existirão lembranças de rusgas e desentendimentos passados. Existem até os que fomentam apostas em relação ao tempo de duração do projeto. Mas tudo foi tratado com seriedade e com muito bom planejamento.

Tudo indica que o caminho percorrido até o presente momento, nunca antecipando etapas e prevenindo ou resolvendo, de imediato, as situações de não conformidade seja o de melhor adequação.

O empreendimento possui líderes, notadamente o pensador que, além de acompanhar, de muito perto, toda a evolução do projeto, adotou-o como membro familiar.

E, sem dúvida, multiplicável em muitas regiões do país.